quinta-feira, setembro 26, 2013

Torga

Descobri Miguel Torga no 10º ano, aquando da leitura obrigatória do conto "Fronteira". Lembro-me que nesse dia o  li e reli  vezes sem conta. A escrita era-me muito familiar, expressões que só nós(os transmontanos) usávamos, locais(aldeias) que eu conhecia,  uma Isabel muito genuína e um Robalo austero, cumpridor, mas com um coração mole. Quem nunca leu poderá fazê.lo aqui.
Uma semana depois comprei o livro "Contos da montanha"(de onde este texto faz parte),seguiu-se "Novos contos da montanha", "Os Bichos" e posteriormente os "Diários". Li-os todos, alguns mais que uma vez(tenho na minha mesinha de cabeceira os contos...e quase todas as semanas lei-o pelo menos um, embora já os conheça a todos de trás para  a frente e da frente para trás). Já ofereci algumas dezenas, a algumas pessoas consegui "converter", outras não. Quando a cat me pediu que lhe enviasse livros fui à Fnac e comprei os que encontrei dele. Quando a minha avó partiu uma anca (há já um bom par de anos) e teve de ficar na cama durante um mês resolvi ler-lhe alguns dos contos. Ela queria sempre mais..e sorria e comentava..um dia ao chegar ao quarto fui dar com ela  de livro na mão a tentar lêr(a minha avó tem apenas a 1a classe)..ia juntando letra a letra e comovi-me com aquela visão..Torga transformara aquela idosa de setenta e muitos anos numa criança de 6..
Por TUDO isto e muito mais Adolfo Côrrea da Rocha terá sempre um lugar de destaque na literatura cá de casa!

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